O grande violeiro andante estava instigado, nunca uma cidade tinha sido tão tímida com ele, quanto a que estava agora. Dos dois dias que estava ali, só se alimentou das próprias previsões acumuladas durante todas suas sucessivas viagens. Em todas elas, a sua música, o seu ganha pão, o seu violão, ganhou e conquistou todos aqueles povoados. Mas não entendia porque era tão rejeitado na Vila João Vincente.
Se desafiou, e decidiu ficar mais do que geralmente fica, mas nesse caso nenhum rabo de saia o tinha convencido disso. Ele não queria só entender, ele queria a simpatia de toda cidade.
Tocou afinado, esforçado e determinado. Tocou uma vez, refez, plagiou e inventou.
Não obteve a benção do padre, não viu nenhum sorriso de nenhuma senhorita, o bebum não veio cantar junto, o vira-lata não saiu do pé do vagabundo. A única palma que ouviu foi sua expectativa que bateu.
Esfomiado, irritado e inconformado, foi embora, mas não sem antes ouvir:
"Em João Vincente não se chega, mas daqui se parte, vá embora que esperamos você voltar com humildade."